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Amigo/Chingu
Friend
친구
Realizado por Kwak Kyeong-taek
Coreia do Sul, 2001 Cor – 113 min.
Com: Yu Oh-seong, Jang Dong-geon, Seo Tae-hwa, Jeong Un-taek, Kim Bo-kyeong, Ju Hyeon, Gi Ju-bong, Jeon Yeong-bong, Lee Jae-yong, Kim Hyeon-ji
crime gangster drama
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Alianças criminais conflituosas estão na origem de desagregação de uma amizade, tornando amigos em inimigos mortais. Baseado em elementos autobiográficos emprestados da vida do realizador, «Friend» aborda a evolução de quatro amigos desde a infância à maturidade, na cidade coreana de Pusan. Tudo começa em 1976 — Jun-seok (Yu Oh-seong) é o líder natural da escola, contando com a conivência do amigo Dong-su (Jang Dong-geon). Dong-su é o típico “testa de ferro”: duro, implacável, mas acima de tudo leal. Jeong-ho é o elemento mais divertido, que funciona como contraponto de Sang-taek (Seo Tae-hwa), por seu lado o mais diligente e calmo do grupo. Numa escola pejada de gangs e em permanente convulsão, a amizade é fortificada quando Jeon-suk e Dong-su protegem Sang-taek de uma sova. Como resultado, Jeon-suk e Dong-su são expulsos da escola, aproximando-os dos caminhos das tríades. Na década seguinte, a irmandade separa-se progressivamente: à medida que Jeong-ho e Sang-taek continuam os seus estudos, Jeon-suk e Dong-So dividem-se em facções rivais, eventualmente colocando-os em extremos opostos de uma luta de gangs, como se de um último teste se tratasse à sua eterna amizade.
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Dong-su (Jong Dung-keon, à esquerda) e Jun-seok (Yu Oh-seong). |
Desde o seu lançamento, em 2001, «Friend» bateu todos os recordes de bilheteira na Coreia do Sul, superando os anteriores “smash hits” «JSA» e «Shiri», com mais de 8 milhões ingressos vendidos em todo o país (em termos comparativos, significa que foi visualizado por aproximadamente 50% dos adultos sul-coreanos entre os 18 e os 35 anos). «Friend» é um “blockbuster” tonitruante que revisita nostalgicamente os últimos 20 anos da história coreana, não sendo por isso de estranhar que os maiores apoiantes do filme tenham sido indivíduos do sexo masculino com mais de 30 anos. Já mais curiosa foi a capacidade de captação que «Friend» demonstrou ser capaz de recolher junto da audiência feminina abaixo dos 30 anos, provavelmente os maiores consumidores de cinema da península, especialmente tendo em consideração que o filme não tem um interesse amoroso assumido.
Em termos meramente conceptuais, o filme de Kwak Kyeung-taek não traz nada de absolutamente refrescante; trata-se de uma redefinição de códigos antigos sob os quais se alicerçou — durante a década de 60 — o cinema de acção, reinterpretando-o através de uma lente moderna. Estamos perante o conflito interior que travam estas personagens, um dilema entre as obrigações do indivíduo e aquilo que a sua consciência lhe dita para fazer, entre o “dever” e aquilo que é “justo”. Estas personagens encontram-se veiculadas a um sistema de fraternidade, unida por códigos de honra e justiça que atravessa todos os elementos dessa sociedade.
Kwak Kyeung-taek tem a subtileza e a sagacidade de “passar a bola” ao espectador na altura dos juízos de valor, permitindo encontrar a sua (nossa?) própria dimensão moral nos paradoxos de uma amizade que caminha paralela aos escolhos da vida. A última dimensão está na crueza elementar do seu final, distante dos conceitos estilizados e ritualizados — certamente soluções mais previsíveis e rotineiras — com que alguns cineastas bombardeiam as suas audiências. Aqui, como na vida, o homem ainda é um animal de instintos.
Hugo Freire Gomes
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A edição da Mega Star, de Hong Kong, tem uma boa transferência widescreen anamórfica, DD 5.1, em disco único, com alguns extras, nomeadamente trailer, music video e sinopse. HFG.
publicado online em 7/7/04
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