Battle Royale
バトルロワイアル
Realizado por Fukasaku Kinji
Japão, 2000 Cor – 114 min.
Com: Fujiwara Tatsuya, Maeda Aki, 'Beat' Takeshi, Yamamoto Taro, Ando Masanobu, Shibasaki Kou, Kuriyama Chiaki, Baba Takako, Gou Shirou, Hanamura Satomi, Hirokawa Shigeki
drama comédia ficção científica romance
Video Instrução
Num futuro próximo, o Japão está num estado caótico, perto do colapso, sobrecarregado com uma economia vacilante e uma taxa de desemprego acima dos dois dígitos. O contexto social do país é particularmente grave, com a violência e a rebelião dos estudantes a grassar nas escolas. Perante este cenário de anarquia, o governo decreta a Reforma Educativa do Milénio (mais conhecida como «Battle Royale»). Sobre a providência da BR, todos os anos uma turma de jovens do 9º ano é escolhida aleatoriamente e enviada para um ilha deserta algures no Pacífico para combaterem entre eles. Um jogo de sobrevivência «darwinesco» distorcido, no qual só poderá haver no final um sobrevivente.

No princípio de «Battle Royale», uma turma é conduzida de autocarro para – o que pensam ser – uma banal visita de estudo. Os alunos são neutralizados através de um gás soporífero e levados para a ilha, onde vão defrontar-se nos 3 dias seguintes. Incluídos neste desafortunado grupo estão Shuya (Tatsuya Fujiwara) e a rapariga por quem está apaixonado, Noriko (Aki Maeda), que formam o elo central do filme em termos emocionais. A juntar-se à turma de 40 alunos estão dois alunos “transferidos”, Kawada (Taro Yamamoto) e Kiriyama (Masanobu Ando), nitidamente mais velhos que a média de idades da turma ( não superior a 15 anos) e cuja presença permanece envolvida em mistério e dúvida. Kitano (Beat Takeshi) é, simultaneamente, o professor sorumbático e o árbitro do jogo mortal. Cada “jogador” tem para si comida, água, uma bússola, um mapa da ilha, e uma arma de atribuição aleatória.

«Battle Royale» adapta o polémico livro de Koshun Takami, sendo imediatamente envolto em controvérsia pelas imagens de violência que encerra e a temática que dramatiza. Lançado no Natal de 2000 no Japão, tornou-se um sucesso crítico e de público no mercado nipónico, espraiando esse êxito a outros mercados asiáticos, apesar da classificação restritiva que recebeu (R15 - maiores de 15).

Noriko
Ao Ocidente, chegou-nos como um dos filmes mais violentos produzidos na Ásia nos últimos anos, com uma forte componente de exploração gráfica e gratuita da violência, ganhando ainda mais “molho” com a “iguaria” da delinquência juvenil e violência «teen». «BR» traz à superfície, de uma forma particularmente afastada de qualquer noção de subtileza, algumas questões interessantes sobre o panorama actual do sistema educativo japonês e a participação do Japão na 2ª G.M. e a culpa que acompanha a geração nipónica da altura. A escolha de uma turma do 9º ano não é de todo aleatória: até ao 9º ano o sistema educativo é financiado pelo Estado, a partir daí o ensino complementar e universitário é subsidiado pelo sector privado, o que torna a “barreira” do 9º ano uma fasquia ultra-competitiva. É uma altura crucial para um estudante no Japão, em que é obrigado a competir pela entrada nas melhores e mais prestigiadas escolas privadas, contrastando com a facilidade com que vai avançando até a esse nível, em que a exigência resume-se fundamentalmente a um critério de assiduidade. Por outro, pode ser interpretado como uma crítica à participação japonesa na 2ª Guerra Mundial e às decisões tomadas, a atender pelas palavras do realizador Kinji Fukasaku: “tudo o que nos fora ensinado sobre a forma como o Japão havia entrado na guerra era um monte de mentiras; não se pode confiar nos adultos.” (disponível nas notas de produção da edição portuguesa em DVD, da responsabilidade da novel New Age).

Mitsuko
O filme do septuagenário Kinji Fukasaku (mais conhecido no Ocidente como o co-realizador das sequências japonesas de “Tora Tora”) é uma sátira debaixo de toda aquela carnagem e sangue derramado. Quando dois alunos decidem suicidar-se, saltando de um penhasco, desistindo da vida para escapar ao jogo, as últimas palavras que têm um para outro são: “you look so cool”. Ora esta frase não será a mais imprevisível que já poderiam ler numa cena dramática e supostamente triste como essa? Além do mais, as cenas de Takeshi são particularmente cómicas e alguns diálogos são muito, muito “silly”. Tem uma espécie de humor cínico associado, com momentos sérios e dramáticos, outros mais leves e edificantes, que nos faz rir e sentir tristes ao mesmo tempo.

3

Hugo Freire Gomes

Vd. texto de Luis Canau

Disponível em DVD de Hong Kong (Universe, R3), formato de ecrã original, não optimizado para 16:9. Som japonês (Dolby 2.0, Dolby 5.1 e DTS 5.1) e legendas removíveis em inglês e chinês. DVD do Reino Unido (Tartan, R0), anamórfico. Nada menos do que três versões: a primeira, uma segunda que destacava o "varrimento progressivo" (em NTSC), alegadamente com melhor qualidade de imagem, e a última que pega na edição especial japonesa, com cenas extras e mais violência acrescentada digitalmente (um conceito deveras idiota, na minha opinião). As transferências vídeo das edições especiais são reputadamente um pouco piores do que a transferência da versão original. Edições japonesas a preços pouco recomendáveis. Há também um DVD nacional. Muitas opções.

publicado online em 1/12/02

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