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Donnie Yen é Cat, um ex-polícia polícia nova-iorquino atraiçoado pelo seu melhor amigo (Wesley). Após cumprir pena por tráfico de droga, Cat viaja para Hong Kong para trabalhar como assassino a soldo. Numa das suas incursões nocturnas, Cat apaixona-se pela vizinha “next door”, Carrie, mas sem coragem para o declarar, desenvolve um lado “voyeur”, espiando-a frequentemente e confessando timidamente o seu amor diariamente a um animador nocturno de rádio. Infelizmente, a vizinha é detective da Interpol, encontrando-se a investigar o último trabalho de Cat. Quando Cat se prepara para um último “hit” antes de depor armas, dá de caras com o seu nemesis, Wesley, o ex-polícia que o atraiçoou.
«Ballistic Kiss» é o que se pode chamar um “vanity project”, um trabalho que normalmente envolve um actor reputado que decide assumir uma série de papéis diversificados na concepção do seu filme, protagonizando, realizando, produzindo e muitas vezes assumindo as despesas do argumento. Este é o projecto de Donnie Yen, aqui secundarizado pela direcção de fotografia de Wong Kai-fai e o argumento do seu amigo Bey Logan. As cores lustrosas e vivas, interpeladas pela secura pretenciosa das sequências a preto e branco que povoam o princípio e o términus do fita sem qualquer justificação narrativa plausível, deixam uma certa sensação de incoerência a todo o trabalho de Wong neste filme. Por seu lado, o argumento é tão ridículo que mete dó: estafado, repetitivo e absolutamente banal. Realmente, não se compreende com que idade terá escrito Bey Logan este script, mas não deveria ultrapassar os 8 anos. Pior do que isso, é revelador de uma enorme ingenuidade ou, pelo menos, alguma falta de rigor – descobri neste filme que um ex-condenado nos EUA pode sair do país quando quiser, as paixões floresçem após um interrogatório prisional os sofás são isolantes e anti-bala. São descobertas a mais para uma hora e meia.
Além destas falhas, «Ballistic Kiss» é uma peça absolutamente inócua, risível no seu pretenciosismo bacoco e auto-indulgência do seu personagem principal. Tem bons motivos e influências: se, por um lado, pretendia ser a mola que despoletaria o ressurgimento do filme de “gangsters”da Hong Kong pós-entrega; por outro, encerra em si elementos de «The Killer» (há um anti-herói com bom coração) e «Full Contact» (o conceito da vingança e conflito interior). Mas é só isso, boas intenções. Se não fosse tão pretencioso, talvez pudesse ser apreciado como um “guilty pleasure”. Em abstracto, poderia ser considerado o «The Killer» em versão hetero, mas aí só estaria a ser mauzinho para a notável obra-prima de John Woo.
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Cat (Yen) é um homem entre o amor de Carrie (Wu, à esquerda) e uma caçadeira de repetição (Yu).
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Donnie Yen tem um imenso talento como actor e a melhor forma de atestar as sua capacidades é olhar para filmes como «Hero», «Iron Monkey» (onde ele rouba literalmente o filme ao personagem principal) e «Once upon a time in China II”. Aqui dá basicamente um tiro no pé na sua carreira de realizador, “assassinando-a” de uma forma tão breve e, ao mesmo tempo, tão “loquaz”.
A edição da Universe a que tivémos acesso não é anamórfica e inclui extras reduzidos, resumindo-se a uma biografia de Donnie Yen e trailers diversos. É também bastante barata, sendo possível adquiri-la a um preço de promoção na DDDHouse.
Hugo Freire Gomes
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