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Ci Haak San Zyun Zi Saat Yan Je Tong Jaan/The Assassin
Saat Yan Je Tong Jaan
刺客新傳之殺人者唐斬 (cì kì xīn chuán zhī shā rén zhě táng zhăn)
Realizado por Billy Chung Siu-hung
Hong Kong, 1993 Cor – 81 min. (*)
Com: Zhang Fengyi, Max Mok Siu-chung, Rosamund Kwan Chi-lam
wuxia artes-marciais
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Na Dinastia Ming, o camponês Tong Po-ka (Zhang Fengyi de «Adeus Minha Concubina») é separado brutalmente da sua amada Yiu (Rosamund Kwan da série «Once Upon a time in China») e enviado para a prisão. Em vez de ser simplesmente confinado, Tong é torturado e submetido ao último teste darwinesco — um combate mortal numa arena da prisão em que todos os prisioneiros se defrontam uns contra os outros, para determinar o derradeiro assassino do reino. Como único sobrevivente, Tong torna-se o assassino titular, sendo arregimentado para a equipa de acólitos do sádico Ngai, um eunuco com super-poderes que preside ao Dongchang, a organização repressiva dos governos Ming. Depois de uma série de acções bem sucedidas ao lado de Wong Kau (Max Mok), seu fiel amigo e colega, Tong é incapaz de assassinar uma criança abortando assim a missão. Wong Kau, o seu ambicioso amigo, termina o trabalho de Tong, sem revelar qualquer vestígio de moralidade ou remorso. Tong decide abandonar a sua cruel ocupação e regressar à vida pastorícia, descobrindo que o passado não se repete: Yiu voltou a casar e vive feliz numa comunidade bucólica com a sua família. Entretanto, a rescisão de Tong não é bem aceite pelo malévolo e super-vilão Ngai.
Inspirado numa composição literária de Wen Shui-On, «The Assassin» é um wuxia poético e barroco, que bem merece o estatuto de categoria “III” (adultos) com que foi brindado graças a toda a sua glória hiperbólica da violência, mediante a utilização de um manancial variado e progressivo de decapitações, desmembramentos e incisões. Aqui a violência é um figurante, que se transmuta de acordo com os avanços da narrativa, ora num registo de novela gráfica ora num outro claramente mais operático e cuidadosamente ensaiado após, por exemplo, um plano de assalto.
Se o filme de Billy Chung Siu-hung se destaca positivamente pelos seus esplendorosos efeitos visuais, por uma fotografia absolutamente grandiosa — pese embora o uso excessivo de filtros azuis nas cenas de noite — e pela preparação meticulosa das sequências de combate — respeite-se a coreografia do assalto a uma vila durante a noite, em que vemos através de um processo de justaposição a sequência de eventos entre a concepção e posterior execução do plano —, os seus principais atributos passarão primordialmente pela capacidade demonstrada em assimilar diversas referências meritórias, dos chambara de «Zatoichi» e «Yojimbo» até às raízes do wuxia de Zhang Che a King Hu, produzindo uma obra “pulp” sem sombra de plágio ou imitação barata. A certa altura, é possível beliscar o espectador do lado, perguntando-lhe se não estamos perante um western de John Ford, quando guerreiros caminham a cavalo lado a lado ao pôr do sol, unidos por um código de honra e fraternidade (yi). Além dos méritos visuais e técnicos, a fusão entre as influências do ocidente com as raízes puramente orientais são do melhor que este filme tem para oferecer.
O que trai «The Assassin» é a sua galeria de personagens unidimensionais, arquétipos de heróis crepusculares privados de qualquer lampejo de cinismo, escárnio ou pecado. Em certos momentos, Billy Chung preocupa-se mais em explorar a violência do que a história, a dimensão ou a densidade das personagens. Como wuxia, «The Assassin» é uma entrada estilizada, entretida e popular (a espaços sensacionalista em toda a sua carnificina), distante por isso de constituir propriamente um avanço seminal ou incontornável ao género. A superficialidade e futilidade com que é tratada a relação definitiva do filme — o male bonding abortado entre Mok e Fengyi e a dualidade entre a obrigação profissional e o código de conduta do(s) guerreiro(s) — acabam por constituir o paradigma de todas as debilidades.
Hugo Freire Gomes
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A transferência da Tai Seng é não-anamórfica (letterbox), em que imagem apresenta já algum desgaste do tempo, que se traduz em riscos verticais ocasionais. As pistas sonoras disponíveis são todas DD 2.0 (cantonês, mandarim, inglês e vietnamita), existindo apenas a opção de seleccionar e remover subtítulos em inglês. Como opções especiais, esta edição dispõe de uma galeria de trailers e bio-filmografias de Mok, Kwan, Zhang e Chung; e um comentário áudio de Ric Meyers, Bobby Samuels e Frank Djeng. Pese embora Ric Meyers não dispor do saber enciclopédico do britânico Bey Logan (além de passar o tempo a ler os créditos da equipa técnica e elenco, assume suposições disparatadas como quando afirma que o visual do eunuco ter sido fonte de inspiração à personagem “Dracula” de Francis Ford Coppola, quando o último estreou um ano antes de «The Assassin»), os restantes comentadores disponibilizam inputs válidos, em especial quando abordam a concepção e adaptação do argumento. HFG.
(*) Tratando-se de uma transferência feita a partir de um master PAL, a duração do DVD fica-se pelos 77 minutos, ao contrário dos 81 referidos na própria embalagem.
publicado online em 19/8/04
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